Release

“Fazer
música instrumental com bom humor e qualidade”.
Este é o mote principal que norteia a concepção
musical do Rivotrill. Em dois anos e meio, o grupo, formado
por Eluizo Júnior (flauta, saxofone e teclados), Rafael
Duarte (contrabaixo) e Lucas dos Prazeres (percussão),
vem mostrando que esse intento está sendo cumprido
a risca. Além disso, apesar do pouco tempo de formação,
o trio vem solidificando seu nome como um dos mais inteligentes
e talentosos projetos em música instrumental do nosso
país, o que contribui para que essa trajetória
seja longa e intensamente produtiva.
A
partir das influências desses três jovens músicos,
enovelam-se de forma coesa, instigante e sensível vários
elementos musicais, que vão desde a mais alta liberdade
jazzística, trafegando pelo rock progressivo dos anos
70, por ritmos latinos e afro-brasileiros, até a presença
de nuances da nossa música tradicional nordestina.
Tudo isso composto a partir do “triálogo”
entre a esperteza e sagacidade da flauta de Eluizo, a intensa
ebulição percussiva de Lucas e a precisão
e balanço do contrabaixo de Rafael.
Ao
se ouvir o Rivotrill, percebe-se ali tal profusão de
sons que de seduz de imediato, por conduzir à percepção
das mais diversas respirações musicais, sem
se perder da condução e do destino a que essas
músicas se arvoram, que é produzir um estado
de euforia e imersão nessa linguagem musical tão
envolvente que o grupo formatou em torno de suas idéias.
É como se cada compasso fosse composto de tons, cores
e texturas diferentes, que se alternam em seu sentido e em
sua amplidão, em sua possibilidade de se misturarem
numa fração de segundos; um degradê tão
sutil de intenções, de tempos, de pegadas, de
ritmos, que estimulam sensações diferentes a
cada momento, que vibra profundamente no sangue e percorre
por completo a alma a cada instante ou ao mesmo instante de
cada uma das músicas.
Vigor
e suavidade são traços que se complementam e
se harmonizam em performances de tirar o fôlego de qualquer
platéia. Nessa música, tem-se uma sensação
de liberdade grandiosa e de um virtuosismo deliciosamente
degustado e sempre presente em cada som criado por esses três
músicos.
curva de vento – o disco
Com
algumas excelentes participações em importantes
eventos musicais como o RecBeat (que faz parte da programação
“alternativa” do carnaval recifense), o XVII Festival
de Inverno de Garanhuns, o Festival de Música Instrumental
de Guarulhos e a Feira da Música de Fortaleza, o Rivotrill
foi conquistando respeito da crítica especializada
e consolidando cada vez mais o seu trabalho como uma grande
e feliz novidade no cenário da música instrumental
contemporânea.
No
esteio disso, e tendo como suporte o respaldo positivo que
começara a ganhar a partir de então, o grupo
cai em campo para registrar oficialmente suas composições.
E, com o apoio da Chesf, o Rivotrill lança para o grande
público Curva de Vento, seu primeiro álbum,
que tem a direção musical co-assinada por Yuri
Queiroga.
Porém,
Curva de Vento não é só, e nem simplesmente,
o primeiro álbum do Rivotrill. Ele surge também
como uma extensão a mais das possibilidades de experimentação
do grupo. A começar pelo próprio processo de
gravação, não muito convencional.
Em
março de 2007, a equipe formada pelos três músicos
e mais toda a produção técnica e artística
se aloja numa casa, que foi escolhida para ser o estúdio
de gravação do disco. A idéia era fazer
tudo à sua maneira, com liberdade de criação
suficiente e que pudesse dar vazão ao turbilhão
de idéias e mirabolâncias que essa turma se propunha
a partir de então.
Para
conseguir imprimir ao disco a quantidade de nuances e timbres
dos quais o Rivotrill lança mão, e também
para se manter fiel aos sons originalmente por eles criados,
microfones foram espalhados por todos os cantos da casa. E
todos os cômodos, com a sua acústica peculiar,
serviram para captar os sons de forma diferenciada e característica.
Contrabaixo ligado na área de serviço, pandeiros
embaixo de escadas, flautas captadas no banheiro e até
mesmo um djembê gravado dentro de uma cisterna. Tudo
cuidadosamente registrado, com seus efeitos sonoros naturais,
com suas ambiências distintas, a fim de fazer chegar
até quem ouve a exata textura e profundidade de cada
instrumento, criando um arsenal de sonoridades diferentes
em cada música.
Além
disso, toda e qualquer coisa que fosse musicalmente estimulante
serviu como instrumento para compor a malha sonora criada
pelo Rivotrill. Apitos, panelas, pratos, sons de cigarras
em fim de tarde, chuva, saquinhos de risada de brinquedo.
Nada passou despercebido pelos músicos. Tudo está
ali, presente. E estão também presentes no disco
o carnaval, o folclore, um passeio por Cuba dentro de Pernambuco,
lendas, histórias, florestas, duendes, a natureza,
respirações. Curva de Vento é um passeio
por diferentes territórios e concepções.
Momentos por vezes áridos, por vezes intensamente verdes,
delineados hora por um ritmo frenético, hora por uma
cadência delicada e emotiva.
Além
disso, o disco conta com a participação de vários
convidados, que dão um requinte todo especial ao trabalho.
Naná Vasconcelos, Maestro Spok, Renata Rosa e Fabinho
Costa, além do próprio Yuri Queiroga, compõem
o time que participa de Curva de Vento.
Neste
seu álbum de estréia, o grupo traz um trabalho
inovador no que diz respeito à concepção
de música instrumental, de grande inspiração,
criatividade e qualidade. O resultado só vem confirmar
o potencial do Rivotrill e de seu som como algo denso e carregado
de originalidade, capaz de despertar um olhar diferenciado
sobre a música.
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